PILGRIM NEST

 Problema:
Um cadáver pode ser belo. Um cadáver pode ser útil.
Um cadáver gigante pode ser um problema. Um gigante é difícil de esconder, de transportar, de esquartejar, exige tempo, esforço – é mais fácil abandonar um cadáver gigante.
Um pouco por todo lado jazem gigantes carcaças de
existências passadas. Há gigantes de ferro abandonados nos campos, em fábricas, em casas velhas, em celeiros, na berma da estrada – quase sempre belos.
Objecto:
Entre os cadáveres gigantes há cisternas: cisternas de
combustível, mas há outras… São depósitos blindados,
inabaláveis, indestrutíveis, fortificações amovíveis -
potenciais cofres de vida. Podemos confiar numa cisterna, foi feita para ser fiável. Se podemos confiar, está
justificada a eternidade do gigante.
Ideia:
O seu cadáver abandonado solitário numa berma, supera a sua beleza funcional e colorida em vida. Na berma do caminho, a solitária carcaça pode dar abrigo ao solitário caminhante: o nómada; o peregrino; o viajante; o passageiro errante.
Reanimar-lhe a âmago sem reanimar o exo esqueleto, ser uma cápsula de abrigo para pernoitar, no caminho para algures, é o desafio.
Propomos mapear os caminhos de peregrinação, como forma de evidenciar itinerários, com apoios individuais a peregrinos, convergindo para a concepção da peça a reciclagem, a marcação da paisagem e a utilidade do “feio”.
Construção:
Na cisterna foram recortadas 4 vigias para iluminar e espreitar as redondezas desde o seu interior. Foi recortado um dos seus topos, em todo o perímetro do cilindro, para constituir uma porta de entrada. O seu interior revestido com aglomerado de cortiça expandida beneficiando das suas características isotérmicas e tácteis. O abrigo é servido por uma fonte de energia renovável e auto-suficiente – um painel fotovoltaico com uma bateria de armazenamento que alimentará a fechadura digital, a iluminação interior e tomadas para recarga de telefone ou outros pequenos aparelhos eléctricos auxiliares.
Para assentar a cisterna desenvolveu-se uma base de construção em taipa, de forma a evitar a corrosão do suporte em contacto com o terreno. Partindo da predisposição ecológica de que se reveste toda a concepção, a ideia é evidenciar que a terra que acolhe o objecto é a mesma que serve para moldar a sua fundação.